Speedy Moto App
CAso REAL DE design, no mercado de mobilidade urbana
A necessidade diária de se locomover permeia nossa sociedade há milhares de anos. Sabendo disso, em 2021, decidi investigar como a mobilidade urbana afetava a vida das pessoas na região metropolitana do estado do Ceará. Foi conversando com diversas pessoas na rua que ouvimos diferentes perspectivas e encontramos diversas oportunidades. Assim surgiu a Speedy Moto: um aplicativo para pessoas maiores de idade que não conseguem localizar um moto-táxi de maneira eficiente. Requer um sistema em que os usuários possam solicitar ou aceitar uma viagem, com liberdade para negociar o preço e ter acesso às principais informações de segurança. Diferentemente da concorrência, o produto possui um ótimo sistema de avaliação, triagem de pilotos, parcerias estratégicas com empresas e oficinas, gestão financeira, metas, cashback, excelente usabilidade e acessibilidade.
Duração:
Em 1 ano chegamos ao MVP, do zero à introdução do mercado; na época, ainda não tínhamos ferramentas de IA disponível.
Co-Founder Pablo Ykaro - Sênior FullStack Software Enginner
João Paulo Sênior FullStack Software Enginner
Nathanael Brito Junior Front-end Enginner
Co-Founder Denis Araújo Product Designer
Bruna Miranda - UX Designer, UX Research
Objetivo inicial: otimizar a eficiência operacional das corridas, sendo o primeiro aplicativo a disponibilizar a funcionalidade para moto-táxis na região metropolitana de Fortaleza. Enquanto players nacionais e globais de mobilidade seguiam focados nos grandes centros, iniciamos ao redor.
O primeiro passo: iniciamos a investigação criando uma matriz C.S.D. (Certezas, Suposições e Dúvidas). Para as certezas, nos concentramos nos dados quantitativos. Realizei uma desk research que revelou um espaço negligenciado. Dados do IBGE mostravam a dimensão do mercado de mototáxi: são 2.560 municípios com esse serviço no Brasil — 46% de todas as cidades do país. Para comparar, há 4.110 com serviço de táxi. No Nordeste, o cenário é ainda mais relevante: 1.385 municípios oferecem mototáxi, mais da metade de todas as cidades que contam com o serviço no país.
Na cidade piloto, era nítido que existia uma demanda consistente fora do radar das Big Techs, que estavam 100% concentradas em carros e não em motos como veículo principal. Um imenso vácuo onde soluções locais e adaptadas ao contexto poderiam prosperar. Vale ressaltar também que, em muitas cidades do Nordeste, os pilotos eram credenciados pela prefeitura, diferente do estado de SP, por exemplo, onde era proibido.




Desafios que os pilotos enfrentavam:
Eficiência operacional das corridas. ( horas disponíveis para operação / horas de valor agregado )
• Não conseguiam medir a demanda.
• Não conseguiam demonstrar sua disponibilidade de forma eficaz para a população.
• Violência urbana, muitos preferiam ficar em pontos fixos, aguardando clientes.
• Jornada de trabalho elevada.
• Grandes filas de espera entre pilotos nos pontos fixos.
Desafios que os passageiros enfrentavam:
Dificuldade para localizar um moto-táxi.
• Insegurança com pilotos que não conheciam.
• Baixa disponibilidade de moto-táxi à noite.
• Tempo de espera elevado.
• Métodos de pagamento.
• Muitas vezes, a pessoa precisava se deslocar até o ponto fixo (ponto de embarque) do piloto.

Planejamento do negócio:
Para o planejamento do negócio, utilizamos o Canvas Modelo de Negócios e Lean Startup. Para a gestão do produto: Plano de Ação, 5W2H, OKRs trimestrais, Scrum, Kanban, análise SWOT e benchmark. Para a priorização de funcionalidades: MoSCoW.
Design & Prototipagem
Na etapa de ideação, desenhamos a jornada do usuário, tanto para os passageiros quanto para os pilotos. A imagem abaixo ilustra, de forma simples, apenas o caminho “feliz”. Também fizemos um mapeamento de cada desafio e ponto de atrito na jornada do usuário, analisamos suas emoções, sentimentos, pensamentos e insights.

Desenvolvimento e Implementação
Arquitetura limpa e DDD para código escalável; MySQL otimizado, Docker e Redis para performance; AWS (S3, SES) e Railway na infraestrutura; CI/CD e Git para qualidade e colaboração; testes unitários, de integração e E2E; entrega de features-chave (rastreamento em tempo real, pagamentos, avaliações e matching) alinhadas às necessidades do usuário junto ao time de negócios.
Versão 1 linha: Clean Architecture + DDD, stack performática (MySQL, Docker, Redis), AWS/Railway, CI/CD, testes completos e features críticas (tracking, pagamentos, avaliações, matching) guiadas por feedback do negócio.
Testes de otimização:
Testes manuais, unitários e testes de usabilidade.
Versão Beta 1.0
Primeiro teste de Usabilidade
O primeiro teste de usabilidade foi realizado em 2022, utilizando a ferramenta Maze. Na época, o resultado inicial do protótipo foi positivo, mas identificamos várias oportunidades de melhoria na arquitetura da informação e no contraste das cores para obter mais acessibilidade. Fizemos os ajustes necessários e testamos uma nova versão do protótipo. Já era possível perceber uma evolução na usabilidade. Também realizamos testes de campo com pilotos da cidade para observar a interação real com a interface. Inicialmente, 60% conseguiram utilizar o fluxo completo.
Segundo teste de usabilidade
O segundo teste também foi iniciado em 2022 e tinha o objetivo de validar se as melhorias aplicadas após o primeiro teste estavam funcionando de forma mais consistente. Os participantes responderam se encontraram alguma dificuldade durante o fluxo, e a maior parte não relatou problemas. Avaliamos também a percepção geral da experiência, e os resultados mostraram uma visão predominantemente positiva.
Monitoramos indicadores como sucesso da missão, tempo de permanência nas telas, taxa de misclick e quantidade de usuários que desistiram, o que nos ajudou a entender melhor onde ainda havia espaço para evolução.
Resultados Finais
Após alguns meses dedicados ao produto, as big techs também lançaram suas próprias soluções, Uber Moto e 99Moto. Através das pesquisas contínuas, a gente já sabia que era questão de tempo até chegarem à nossa cidade piloto. Isso não nos desanimou; pelo contrário, acelerou ainda mais o nosso desenvolvimento. Estávamos no tempo certo. Nas primeiras semanas, conseguimos atrair diversos pilotos, enquanto outros se mostraram curiosos, mas ainda resistentes às mudanças. Firmamos parcerias com oficinas e comércios locais e vimos a transformação digital acontecer diante de nós.
Em 2025, três anos depois, o cenário havia mudado completamente. O número de pilotos explodiu e profissionais com décadas de experiência passaram a disputar espaço com novos concorrentes surgindo de todos os lados. Muitos se viram obrigados a participar daquela nova dinâmica. Porém, nesse mesmo período, acabamos perdendo recursos essenciais para manter o ritmo, como financiamento, equipe-chave e tempo. Sem essa base, percebemos que não seria possível continuar sustentando o produto como ele merecia.
Ainda assim, a jornada valeu cada segundo. As histórias que conhecemos, as pessoas que impactamos e tudo o que aprendemos ao longo do caminho moldaram quem nos tornamos como profissionais e como equipe. Crescemos, erramos, acertamos e entendemos profundamente o problema que queríamos resolver. Se não tivéssemos perdido recursos tão essenciais naquele momento crítico, o produto provavelmente teria alcançado uma escala muito maior. Estávamos no caminho certo para isso.
O projeto pode ter sido pausado, mas nada do que vivemos foi em vão. Pelo contrário, nos deu maturidade, visão estratégica e clareza sobre como construir algo ainda maior no futuro. Seguimos em frente com a certeza de que fizemos história e de que estamos apenas no começo.












